quarta-feira, 1 de maio de 2013

AS TRANSMISSÕES ESPORTIVAS

Narração de Fórmula Um dos estúdios
Muito se tem questionado hoje as transmissões esportivas no rádio e também na televisão que não são feitas dos estádios. Isso já acontece há muito tempo. Aliás, antes da televisão transmitir os jogos ao vivo e surgir o off-tube existia a dublagem das transmissões esportivas. Locutores em ritmo mais lento ouviam a transmissão da emissora de rádio que estava no local do jogo e dublavam para sua emissora como se também estivessem no estádio. O Off-tube na atualidade também é muito comum nas emissoras de televisão que para diminuir os custos mantém narrador e comentaristas nos estúdios enviando apenas os repórteres aos estádios. Para a televisão há uma explicação: na maioria dos autódromos a visão dos circuitos é limitada. Em Monte Carlo só se vê os carros quando passam defronte o local de transmissão. Então o recurso mesmo fica para as imagens geradas pela televisão. O falecido Barão Wilson Fittipaldi um dia me disse: Annuseck, em Interlagos se tem 80% de visibilidade do circuito a partir da cabine de transmissão. Eu comprovei isso quando participei da cobertura de um GP Brasil. E no rádio a Fórmula 1 depois que o Barão Fittipaldi e Nilson César pararam de narrar pela Jovem Pan é feita 90% em off-tube. 

Aconteceu
A dublagem foi muito utilizada e talvez até ainda seja em emissoras com poucos recursos para acompanhar os jogos ao vivo. A história conta que lá pelos anos 50/60 uma conhecida emissora do Rio de Janeiro usava desse expediente com frequência denominando-se a 100% esportiva. Certa feita programou a transmissão do jogo SC Internacional e San Lorenzo da Argentina marcado para o Estádio dos Eucaliptos em Porto Alegre. Faltando cinco minutos para às 21 horas o locutor abriu a transmissão mesmo sem ter ainda a emissora a ser dublada – Rádio Farroupilha de Porto Alegre – sintonizada. Com a experiência que tinha nesse tipo de transmissão ele deu a escalação dos times que tinha recortado do jornal, trio de arbitragem e exatamente 21 horas iniciou a transmissão do jogo sem ver e ouvi-lo. Do outro lado o operador técnico tentava com os recursos que tinha captar a rádio sem sucesso. Já eram decorridos 15 minutos da transmissão quando finalmente a emissora gaúcha foi captada. O operador mais que depressa entrou no estúdio e colocou sob a mesa uma folha de papel onde se lia: “Está chovendo forte em Porto Alegre, o jogo foi adiado”. O locutor que não tinha lá muito improviso, mas que era bom de dublagem na maior naturalidade disse: “Senhoras e senhores, chove muito em Porto Alegre, o jogo foi transferido. Boa noite”.
Off-tube

As transmissões em off-tube viraram moda e acabaram por comprometer a qualidade das transmissões esportivas. As partidas transmitidas dos estúdios utilizando-se as imagens da televisão são ótimas para tirar dúvidas na hora do “replay”. Esse tipo de transmissão tira a criatividade do narrador e dá ao comentarista poucos recursos para impor uma opinião mais abalizada. Na verdade narrador e comentarista de rádio e mesmo de televisão no estúdio nada mais é do que o “complemento da imagem”. Hoje se faz isso em quase todas as rádios brasileiras. Até o grande José Silvério que jamais aceitou fazer esse tipo de transmissão teve que se render a realidade. O Zé até exagerou na final de um dos recentes campeonatos brasileiros quando transmitiu um pouco de cada um dos cinco jogos que definiram o campeão. Como diz um ditado muito antigo: “ajoelhou tem que rezar”.

Historinhas

O duro é ouvir emissoras em que o locutor abre a transmissão fala que está no estádio e se contradiz durante a transmissão. Nos anos 90 uma emissora de rádio de Curitiba abriu a jornada dizendo estar em Salvador na Fonte Nova. Quando chegou a imagem pela televisão a transmissão era de um jogo do Maracanã. Imediatamente mudaram da Fonte Nova para o Maracanã na maior cara de pau. Em 1966 na Copa do Mundo da Inglaterra emissoras brasileiras já se utilizaram do Off-Tube. Naquela época não havia condições técnicas para estar em todos os jogos ao mesmo tempo, então transmitiram diretamente do IBC (Internacional Broadcasting Center). Na Copa do Mundo de 1974 um canal de televisão da Alemanha gravou as imagens de uma emissora brasileira que transmitia em Off-tube do IBC de Frankfurt. Sarcasticamente na hora de apresentaram o vídeo da matéria o texto lido pelo apresentador dizia: “Esses são os brasileiros que transmitem do IBC e dizem que estão no estádio”. É isso aí. 

Um comentário:

Gilson Junior disse...

Ja tive a oportunidade de fazer jogos nos 2 jeitos. off-tube tem vantagem da sua seguranca, mas in-loco é insuperavel...sentir a emocao dos torcedores, ouvir os chutes, o barulho da grama sendo arranhada pelos pes dos jogadores, a bola batendo na trave, o grito de gol....a camisa que tem o cheiro do estufando as redes....