segunda-feira, 9 de março de 2015

HISTORINHAS DO RADIO ESPORTIVO


Lá pelos anos 60 o SC Internacional de Porto Alegre realizou um amistoso contra o Hercílio Luz FC no Estádio Aníbal Costa na cidade catarinense de Tubarão, conhecida como a Cidade Azul. A grande atração do time gaúcho era o catarinense Carlos GAINETE Filho, goleiro revelado pelo futebol florianopolitano com grande destaque no CR Vasco da Gama e no Internacional. Com os times em campo o eclético jornalista Nelson Tófano da Rádio Tabajara de Tubarão foi entrevistar Gainete. Havia uma dúvida sobre sua presença no jogo em virtude de uma contusão. E o papo saiu assim... Nelson Tófano - Então Gainete, você joga ou não joga? Gainete - Se estou em campo é porque eu vou jogar né. Nelson Tófano - Que não seja por isso, porque eu também estou em campo e não vou jogar.

Lauro Soncini foi um dos mais discutidos locutores esportivos do rádio de Santa Catarina. Foi figura de destaque das Rádios Diário da Manhã e Guarujá. Defendia com todas as armas os times de Florianópolis e vez por outra arrumava problemas com os clubes do interior. Em determinada ocasião foi impedido de transmitir um jogo entre Marcilio Dias e Figueirense no Estádio Hercílio Luz em Itajaí. Soncini acabou transmitindo o jogo. Conseguiu um apartamento próximo do estádio e usando binóculo para ver mais de perto o jogo ia descrevendo... Lá vai o Figueirense com Zilton entrega para Valério, corta o número cinco do time local. Lá vai o time local para o ataque com o número 10 que toca para o número nove...

Na Copa do Mundo de 1974 na Alemanha a imprensa local foi ver de perto como os brasileiros transmitiam os jogos de futebol. A rapidez das narrações surpreendia em todos os países onde as emissoras brasileiras se faziam representar. No IBC – International Brodcasting Center – instalado em Frankfurt começaram neste mundial as “famigeradas” transmissões em Off-Tube dos jogos nos quais a Seleção Brasileira não estava envolvida. E foi numa dessas que descobriram José Italiano – O Garganta de aço – da Rádio Gazeta narrando Alemanha e Suécia num dos estúdios do IBC. Gravaram alguns minutos o desempenho do locutor brasileiro e depois colocaram no ar: “Vejam como os brasileiros dizem estar transmitindo os jogos dos estádios”. Fecha pano.

Jair Bozza, apelidado por Hélio Ribeiro de Jair Bozó nos tempos da Rádio Capital deixou marcada sua passagem pelo rádio brasileiro. O moço de Paranaguá trabalhou muitos anos no rádio de Curitiba onde certa feita foi ao interior e não conseguiu conectar o circuito de transmissão destinado a sua emissora. Rapidamente saiu do estádio a procura de um telefone público. Fez ligação a cobrar para sua rádio e ouvindo o jogo por uma rádio da cidade passou a narrar a partida. Em sua volta o povo se divertiu entre aplausos e gargalhadas. Jair Junior continua narrando futebol na sua cidade natal Paranaguá.

A história do “Olha o Gol” que muitos conhecem foi vivida por vários locutores esportivos do Brasil. O falecido Rosildo Portela empunhando o microfone de uma emissora de Curitiba estava no Beira Rio em Porto Alegre. Bola rolando e de repente representantes de uma empresa de refrigerantes ingressaram na cabine para presentear o locutor. Portela ficou mais interessado com as “meninas” do que com o jogo e logo ouviu o Plantão Esportivo chamar: “Olha o Gol”. E ele de imediato... aonde? Aí no Beira Rio.... E Rosildo soltou o vozeirão... GGGGGOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL.

Na Copa América de 1999 realizada no Paraguai um famoso locutor esportivo – já falecido – foi contratado para participar como comentarista de uma emissora brasileira. Logo na primeira rodada deixou de comentar para narrar os jogos. No andamento da competição foi escalado para Colômbia e Equador. Como a transmissão era em off-tube diretamente de um Hotel em Foz do Iguaçú acabou invertendo os dois selecionados. Nos primeiros quarenta e cinco minutos transmitiu a Colômbia como se fosse o Equador e o Equador como se fosse a Colômbia. Tudo porque a Colômbia jogou de camisa azul e o Equador de camisa amarela.

E pra finalizar aquela do locutor da Emissora Continental a 100% esportiva do Rio de Janeiro que nos anos 50 e 60 fazia a dublagem na transmissão de jogos de futebol. O Internacional jogaria no Estádio dos Eucaliptos em Porto Alegre contra o San Lorenzo da Argentina uma partida amistosa. Jogo marcado para começar às 21 horas. O operador técnico encarregado de sintonizar a Rádio Farroupilha para a dublagem encontrou dificuldades e não conseguia ouvir a emissora gaúcha. Faltando três minutos para as 21 horas o locutor abriu a jornada, leu a escalação dos dois times que tinha recortado do jornal e iniciou a narração. Passados uns 10 a 15 minutos o operador finalmente sintonizou a Rádio Farroupilha e rapidamente escreveu numa folha de papel colocando-a na mesa do locutor onde se lia: “Está chovendo muito em Porto Alegre não tem jogo”. O locutor imediatamente sentenciou: “Senhoras e senhores, chove muito em Porto Alegre. O jogo foi cancelado. Boa noite”.

2 comentários:

Mario Donizetti Tomazella disse...

Caro Edemar, como é gostoso ler essas histórias do nosso radio esportivo.
Sobre o jogo Colombia x Equador, foi narrado por um dos maiores locutores esportivos do radio brasileiro, o querido e saudoso Fiori Giglioti, a sorte que o primeiro tempo terminou 0 x 0.
Comecei a acompanhar o Rosildo Portela na Radio América de São Paulo, quando ele trabalhava na "Equipe A" do grande mestre dos comentaristas, o mineiro de Uberaba, Wilson Brasil. Eu gostava muito de um de seus bordões, quando tinha um gol muito bonito, após o grito de gol, ele falava: não foi gol, não foi gol, foi golaço, era muito legal esse bordão do Rosildo.
Falando em gafe, Edemar, a maior que ouvi até hoje foi quando num jogo da seleção no exterior, o Dirceu Maravilha narrando pela Radio Bandeirantes, houve um gol da seleção, e ele gritou normalmente o gol, após isso, ele se ateve a ler um texto e tirou os olhos do campo, só que o gol foi anulado, quando ele voltou a olhar para o campo, o jogo transcorria normalmente e ele não ficou sabendo da anulação, só depois de uns cinco minutos é que o pessoal do plantão avisou. Dizem que isto custou o emprego do Dalmo Pessoa que era o comentarista e estava no estadio e também não observou, o cargo do Dirceu foi mantido porque ele era peixe do diretor.

Mario Donizetti Tomazella
Novo Horizonte SP

EDEMAR ANNUSECK disse...

Meu caro Mario Donizetti Tomazella realmente era o Fiori na Rádio Clube Paranaense. Eu orientei o Oldemar Kramer para alertá-lo. Ele só pode passar a informação no intervalo.
Grato
Edemar Annuseck