domingo, 16 de março de 2014

HISTORINHAS DO RÁDIO


Nos anos 80 a gente viajava por todo o Estado de São Paulo para transmitir os jogos do Campeonato Paulista, dos bons tempos. Certa feita em Ribeirão Preto ao jantarmos numa Churrascaria estabelecida no Estádio Palma Travassos aconteceu algo inusitado. Nosso motorista que era bom de garfo levou um susto ao ouvir do garçom: “Moço agora pro senhor não é mais rodizio, agora é a lacarte”. Foi uma brincadeira que o fez perder o enorme apetite que tinha.
Em 1975 numa rodada dupla do Campeonato Paulista o grande Osmar Santos só conseguiu narrar os primeiros cinco minutos do jogo São Paulo e São Bento no Morumbi. Tudo por conta do “pó de arroz” que a torcida espalhou na entrada do time em campo. Como esses torcedores ficavam na parte superior das cabines de rádio Osmar foi afetado pelo pó e engasgou. Eu tinha transmitido o jogo preliminar e na tentativa de retornar para casa fui impedido porque meu carro estava completamente bloqueado no estacionamento. Liguei o rádio e ouvi o Orlando Duarte comentando, comentando e nada da narração do Osmar. Fechei o carro e corri para a cabine para render o “bodão” na transmissão.
Na Copa do Mundo de 1974 na Alemanha cheguei cedo ao Estádio em Hannover para transmitir Holanda 2 x 0 Uruguai. Já devidamente postado no espaço de transmissão eis que me deparo com o grande Waldir Amaral deitado no carpete da área de imprensa. O homem do “tem peixe na rede” estava tirando um cochilo antes da transmissão.
Natal Baldini foi um dos operadores de externa da Jovem Pan por décadas. Suas histórias são fantásticas. Certa feita na tradicional volta Ciclística 9 de Julho deixou uma cidade sem energia por alguns momentos. Numa agência de automóveis foi autorizado a utilizar um telefone para que Otávio Muniz transmitisse a passagem dos ciclistas. Acabou causando um “longo circuito” na cidade.
Professor Dante Borghi Junior foi um dos grandes locutores esportivos do Escrete do Rádio da Bandeirantes por muitos anos. Quando cheguei a Jovem Pan em 1973 nos encontramos no restaurante do Hotel São Bento em Marília onde estávamos hospedados. O papo foi noite adentro e o assunto só poderia ser mesmo sobre as transmissões esportivas. Curioso perguntei ao Borghi: “E como você faz para decorar os nomes dos jogadores estrangeiros numa transmissão?”. Borghi Junior respondeu rápido: “Decoro três ou quatro nomes e mando brasa”.
Nos anos que convivi com Fausto Silva, o consagrado Faustão sempre estava disposto a me orientar, dando conselhos até porque eu tinha vindo da pequena Blumenau para a loucura de São Paulo. O Faustão normalmente dobrava em transmissões de sábado, fazendo jogos à tarde e a noite no Pacaembu. Ao termino dos jogos da tarde ele se reforçava numa lanchonete do estádio onde adorava o “Cachorro Quente” que era servido e é claro acompanhando da sua inseparável na época, Coca-Cola.
Raul Tabajara e o microfone
A Jovem Pan importou dos Estados Unidos um dos primeiros microfones sem fio da história do rádio de São Paulo. Estreia do equipamento em partida do Pacaembu foi um sucesso. No dia seguinte Antônio Euclides, Chefe Técnico da Externa da emissora convocou uma reunião para saber o que aconteceu com a “antena” que tinha desaparecido. Aos gritos e socos na mesa e queria saber o que tinha ocorrido. Depois de um tempo Natal Baldini levantou-se e disse: “Eu sei onde está a antena". Muito bem Natal Baldini finalmente apareceu alguém para dizer quem foi o fdp que escondeu a antena. E quem foi Baldini? Foi o senhor. Após as gargalhadas continuou, "A antena está no carro do Senhor”. Antônio Euclides que também comentava basquetebol na Rádio Panamericana quase se atirou do andar da emissora na Rua Paula Souza. 
Depois da Copa do Mundo de 1970 onde narrou os três gols finais da conquista brasileira (jogo estava em um a um), Joseval Peixoto acabou retornando a Rádio Bandeirantes. Na estreia seu companheiro de grandes jornadas na Jovem Pan, Geraldo Blota, o GB (falecido em 2009) pediu a Roberto Silva para saudar o amigo Joseval. E na saudação disse: “Zé é só assobiar que eu estou aí”. Na segunda feira ao chegar à Jovem Pan cruzou no corredor com o Seo Tuta, dono da rádio. GB disse: Bom dia seo Tuta que respondeu: “Já assobiaram, pode passar no Departamento de Pessoal”. Estava despedido e foi trabalhar na Rádio Gazeta.
Quando eu ainda estava engatinhando no rádio em Blumenau (Rádio Nereu Ramos) o titular Ivo Sutter com o comentarista Álvaro Correa e o repórter Alfredo Otto Flatau foram transmitir um jogo do Palmeiras contra o Usati em São João Batista. Transmitiram pela rádio local porque não tinha linha de transmissão. Eu fiquei numa lanchonete na saída de Brusque para São João Batista ao lado do motorista e operador Oswaldo Ventania Jacobsen porque lá dava para captar o som da emissora e repassá-lo pelo telefone para Blumenau. Nesse dia acontecia o clássico Carlos Renaux e Paysandu em Brusque. Passava informações dessa partida na hora dos gols e giro do placar. Enquanto isso com Oswaldo Ventania Jacobsen jogava snooker para passar o tempo.

2 comentários:

Toni Nicolas Bado disse...

Legal Edemar essas histórias. É isso que gostamos de saber, dos bastidores, pois o que acontece dentro das quatro linhas todo mundo já está vendo...

mariotomazella disse...

Edemar,na época comentei com meu irmão, que também gostava muito do radio esportivo, que eu não entendia
a troca feita pelo GB, deixando a Pan, que era top nos esportes, e ele era um dos titulares das reportagens, pela Gazeta, que até tinha uma boa equipe, mas, muito aquém da Pan. Acho que já se passou uns 40 anos ou quase, somente agora com suas deliciosas histórias, fui entender aquela troa. Abraços!