domingo, 14 de julho de 2013

SER NARRADOR ESPORTIVO


Recebo com frequência correspondências de jovens interessados em narrar futebol pelo rádio e televisão. Enviam gravações e pedem opiniões. Mesmo não sendo dono nem diretor de rádio tenho respondido a todos com muito prazer. Hoje se critica muito a qualidade do rádio e do rádio esportivo. Não sou dono da verdade e não quero ensinar ninguém o bê-á-bá da narração esportiva. Sou de uma geração de grandes narradores com certeza os melhores da história do rádio esportivo brasileiro. Pedro Luiz, Jorge Curi, Willy Gonser, Pedro Carneiro Pereira, Osmar Santos, Joseval Peixoto, Fiori Gigliotti, Haroldo Fernandes, Alfredo Orlando, Doalcei Bueno de Camargo, Flávio Araújo, Ênio Rodrigues e José Silvério na minha opinião os melhores. Acho que também faço parte desse seleto grupo de narradores, modestamente. Tenho opinião formada em relação às narrações esportivas tanto no rádio como na televisão como ouvinte, telespectador e profissional da área. Quero me dirigir para quem deseja abraçar a carreira ou mesmo para quem já está em atividade. Começo por lhes dizer que narrar futebol no rádio é muito mais difícil do que narrar na televisão. Ninguém faz um narrador esportivo. Ele já nasce com o “dom” que DEUS dá a cada um. Ou se tem, ou não se tem o “dom”. Quem nasce para ser médico, advogado ou especialista em qualquer área da vida já traz isso do berço. O que se pode e deve é aperfeiçoar sempre e sempre a narração esportiva, coisa que hoje não ocorre. DEUS dá a cada um o “dom” para ser desenvolvido e praticado. O que tenho ouvido é uma inversão de valores e muita gente forçando a barra para narrar futebol. Muitos deixam a condição de excelentes repórteres e querem porque querem apoiados pelos “gênios” narrar futebol no rádio. Esse é também um dos motivos pelos quais caiu a audiência do rádio esportivo no Brasil. De quem é a culpa? A culpa é dos que aceitam essas situações. Acham que vão arrebentar a “boca do balão” narrando no rádio. Não é bem assim. Escrevo sobre esse assunto, confesso, até a contragosto. Eu por exemplo nunca recebi orientação de quem quer que seja para narrar futebol e nunca tive padrinhos para chegar aonde um dia cheguei. Hoje os tempos são outros, as narrações são outras, a qualidade é outra. Enfim, cada um faça como melhor lhe aprouver porque narrar futebol em rádio não é isso que a maioria faz nos dias de hoje. Pediram que desse minha opinião. Está dada. É isso aí.

Um comentário:

Unknown disse...

Sou narrador esportivo e concordo em gênero, número e grau com as suas colocações. Muita gente tem forçado a barra, especialmente nos grandes centros. Já vi casos de bons repórteres se tornarem bons narradores, entretanto, na maioria dos casos é um equívoco. E uma pena, porque essa forçada de barra impede a oportunidade de bons profissionais, principalmente do interior, terem uma oportunidade ou espaço nas capitais.