
Texto:
José Alberto de Souza (*)
Alcides Carlos de Moraes (-) nasceu em Jaguarão, no dia 24
de maio de 1916. Começou jogando, aos 12 anos como “filhote”, de centro-avante
no Esporte Clube Cruzeiro do Sul, de sua cidade natal. Em 1936, jogou no Clube
Atlético Bancário, de Pelotas. No ano seguinte, estreava no Esporte Clube
Pelotas, no qual foi campeão em 1939 (triunfo de 3x1 sobre o Brasil). Chegou a
ser pretendido pelo Botafogo, do Rio de Janeiro, sem avançar nas negociações
pela necessidade de abandonar o futebol devido a um emprego que lhe ofereceram
de Fiel de Armazém, quando da inauguração do Porto de Pelotas em 1940. Como não
emplacou nesse cargo, também perdeu aquela oportunidade de atuar no futebol
carioca.

Era um excelente cobrador de faltas, numa época em que
os arqueiros não se arriscavam muito fora da sua área. No dia 30 de março de
1941 realizava-se um Bra-Pel, válido pelo Torneio Início, que terminou empatado
em 0x0, com a decisão indo para os pênaltis. Ramon, pelo Brasil, fez quatro
golos e Alcides defendeu o quinto pênalti. Na sua vez, o Pelotas desperdiçou a
primeira cobrança e então Alcides pediu para bater e marcou os outros quatro,
empatando a série que na época não era alternada como agora. Na decisão de três
pênaltis para cada lado, mais uma vez esbanjando categoria, esse nosso
conterrâneo não perdoou com três acertos e ainda defendeu os dois pênaltis do
Brasil, garantindo para o Pelotas o título daquele Torneio. Alcides Moraes
certamente deveria ser o Rogério Ceni daqueles tempos.
Encerrou a carreira esportiva em abril de 1942 para
assumir suas funções na Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul. Transferido
para São Luiz Gonzaga em 1943, chegou a jogar de atacante no Ipiranga, daquela
cidade. Como passatempo, dedicou-se aos campos de golfe e ao tênis. Casou-se,
em Pelotas no dia 23 de junho de 1944, com Dª. Alda Oliveira de Moraes (de quem
enviuvou em 2008), tendo dois filhos
desse matrimônio, Luiz Fernando e José Carlos, o primeiro deles advogado e
aposentado como procurador do Ministério da Fazenda, e o segundo médico e
professor titular de patologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Este,
com 25 anos em 03/12/1972, foi vítima de um assalto que o deixou paraplégico,
quando fazia residência médica na capital fluminense. Com licença especial, o
casal foi ao Rio para acompanhar a reabilitação desse filho e como esta
demorasse, Alcides teve de voltar para reassumir o cargo no Estado.
José Carlos Oliveira de Moraes ainda é jogador de
basquete em cadeira de rodas, tendo participado das paraolimpíadas de 1986, em
Atlanta nos Estados Unidos, e com Celso Lima, introduziu o tênis para
cadeirantes no Brasil, em que se disputa anualmente um torneio de caráter
nacional. E Alcides, aposentando-se em junho de 1976, retornou definitivamente
ao Rio de Janeiro, onde se mantém exilado do nosso frio, apenas vindo a Pelotas
na temporada de veraneio, sempre marcando religiosamente seu ponto no
tradicional Café Aquarius. Cativando a todos com seu carisma, sua simpatia e
memória privilegiada.
(*) José Alberto de Souza é engenheiro e poeta. www.poetadasaguasdoces.blogspot.com.br
(-) Alcides Carlos de Moraes completará 97 anos em 24 de
Maio.
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